Ciclo Impressões do Cinema Espanhol em Democracia

Este ciclo comissariado pelo investigador Alberto Berzosa propõe uma abordagem ao cinema espanhol produzido em democracia em torno de conceitos, imaginários culturais, valores sociais e traumas históricos que tiveram uma presença especial na esfera pública espanhola contemporânea, organizado em cinco linhas temáticas: Modernidade à Espanhola, Reconversão Industrial, Memórias de Violência, Género e Sexualidade e Passado Colonial. Cada linha temática é representada por um filme.
PROGRAMA
Modernidade à Espanhola
A primeira linha, Modernidade à Espanhola, chama a atenção para a forma como o cinema tem contribuído para a fabricação dos imaginários positivos que relacionam o desenvolvimento turístico com as paisagens da modernidade. O boom económico, a abertura, o contacto com estrangeiros e o relaxamento dos costumes e da moral nacional-católica concentraram-se em locais da Costa del Sol, como Torremolinos. Mas, com a passagem dos anos 60 e 70, estas promessas de modernidade tornaram-se obsoletas, como se pode observar em El puente (1977), onde Juan Antonio Bardem oferece uma imagem taciturna e monótona dos mitos modernizadores, como pano de fundo para o percurso de aprendizagem.
Filme:
El puente, de Juan Antonio Bardem, com Alfredo Landa, Mara Vila, Miguel Ángel Aristu (Espanha / 1977 / 104’ / legendado em portugués)
Primeira sessão: 14/11/2024 – 19:00h | Sala M. Félix Ribeiro
Segunda sessão: 19/11/2024 – 15:30h | Sala M. Félix Ribeiro
Reconversão Industrial
Com o objetivo de se adaptar às exigências de um mundo que começava a globalizar-se, com o fim da Transição e a entrada na Comunidade Económica Europeia (1986), Espanha empreendeu uma forte reestruturação do seu sistema produtivo. Isto serviu para aprofundar a modernização industrial do país, mas ao mesmo tempo foi um rude golpe para o movimento operário, que tinha sido um dos agentes mais ativos e mobilizados contra o franquismo e durante a Transição. A linha Reconversão Industrial é sobre tudo isto, representada pelo documentário EL AÑO DEL DESCUBRIMENTO (2020), de Luis López Carrasco, que analisa o caso particular do desmantelamento do tecido industrial em Cartagena (Murcia) em 1992.
Filme:
El año del descubrimiento, de Luis López Carrasco (Espanha, Suíça / 2020 / 200’ / legendado em portugués)
Primeira sessão: 15/11/2024 – 18:00h | Sala M. Félix Ribeiro
Segunda sessão: 22/11/2024 – 15:30h | Sala M. Félix Ribeiro
Memórias da Violência
Talvez um dos imaginários audiovisuais com maior presença no debate público desde o fim da censura em Espanha seja o da linha das Memórias da Violência, centrado fundamentalmente na memória das vítimas da Guerra Civil (1936-1939) e, em menor grau, daqueles retaliados na subsequente repressão franquista. O filme selecionado é El silencio de otros (2018), de Almudena Carrecedo e Robert Bahar, que testemunha a luta, ao mesmo tempo precária e irreprimível, dos familiares dos republicanos que permanecem enterrados em valas comuns por toda a Espanha e nas pessoas condenadas pelo regime pela sua militância anti-Franco.
Filme:
El silencio de otros, de Robert Bahar, Almudena Carracedo (Espanha, Canadá, Estados Unidos / 2018 / 96 min / legendado em portugués)
Primeira sessão: 18/11/2024 – 21:30h | Sala M. Félix Ribeiro
Segunda sessão: 21/11/2024 – 15:30h | Sala M. Félix Ribeiro
Género e Sexualidade
A mobilização cidadã protagoniza também a linha Género e Sexualidade, que surge da organização social pela igualdade real entre mulheres e homens, e pela liberdade sexual e de género que se iniciou na década de 1970 e se consolidou na década de 2000 paralelamente ao desenvolvimento de políticas e de Estado. 80 egunean (2010), de José Mari Goenaga e Jon Garaño, é uma peça pioneira que, com subtileza e contenção, mostra os canais e as estradas bloqueadas por onde flui o desejo lésbico nas idosas.
Filme:
80 egunean, de José Mari Goenaga, Jon Garaño, com Itziar Aizpuru, Mariasun Pagoaga, José Ramón Argoitia (Espanha / 2010 / 104 min / legendado em portugués)
Sessão única: 15/11/2024 – 15:30h | Sala M. Félix Ribeiro
Passado colonial
Por fim, a linha que trata o Passado colonial espanhol no continente africano aborda um tema que foi popular no governo de Franco, sobretudo em documentários e filmes de soldados e clérigos, mas que tinha perdido relevância nos primeiros anos da etapa democrática. Pelo menos até que vozes críticas como Cecilia Bartolomé devolveram a memória colonial ao debate público com Lejos de África (1996), uma ficção que encarna as memórias da adolescência da própria realizadora na Guiné Equatorial.
Filme:
Lejos de África, de Cecilia Bartolomé, com Alicia Bogo, Xabier Elorriaga, Isabel Mestres (Espanha, Cuba / 1996 / 115 min / legendado em portugués)
Primeira sessão: 18/11/2024 – 19:30h | Sala Luís de Pina
Segunda sessão: 20/11/2024 – 15:30h | Sala Luís de Pina
Esta atividade é realizada em ligação com o programa PORTUGAL – ESPANHA. 50 anos de cultura e democracia do Ministério da Cultura de Espanha.
De 14 a 22 de novembro de 2024 | Cinemateca Portuguesa, Lisboa
ÁREA
CINEMA
QUANDO
14/11/2024 – 22/11/2024
ONDE
Cinemateca Portuguesa
LISBOA
BILHETE
Compra online
COLABORAM
Filmoteca Española
WEBS
cinemateca.pt






